domingo, 13 de julho de 2008

Capitulo V

No caminho de volta a Coimbra qual não é o seu espanto, vê ao longe o mesmo mendigo que cinco anos antes lhe tinha falado de Adelaide. Procura chegar até ele e ver se ele sabe alguma coisa da mulher mais linda do mundo a seus olhos.
Parecia que de repente tudo lhe estava a vir à memória, uma cascata de emoções, vividas no passado mas ainda muito sentidas no presente. Solta-se um enorme sorriso ao relembrar o primeiro beijo.
Era uma tarde de sol de Outono, por todo lados se viam folhas caducas espalhadas pelo chão. Era um espectáculo digno de admirar a vista. O vento soprava forte, muitas mais folhas se soltavam parecendo flutuar no ar, caindo na sua lenta precipitação, pairando por breves segundos no ar.
É neste ambiente perfeitamente romântico que aparece Adelaide, com o rosto descoberto, mostrando a felicidade de um sorriso.
Gonçalo tinha jurado a ele mesmo que de hoje não passava, tinha de lhe dizer o quanto ela lhe era cara. Que não suportava a ideia de ter de a deixar de ver.
Como achava a vida injusta, se pudesse seria ele a cumprir a promessa de sua mãe, só para não a ver enclausurada naquela masmorra conventual.
Mas que podia acreditar que ser cárcere seria ainda maior, viver sem o toque suave de sua mão, sem sua voz de menina.
Enquanto dizia isto para si mesmo, sonhando em voz alta. Adelaide que tinha chegado de mansinho já ali estava sentada do seu lado, ouvindo seus murmúrios, e sorrindo a cada palavra.
Quando abre os olhos vê-a a olhar para sim, não podia haver melhor alucinação, ou melhor até havia se fosse a de um beijo que ela lhe deu na face. Pareceu-lhe real de mais para ser um sonho, então belisca-se e começa a acreditar ser possível.

- Porque fizeste isto?
- Porque estava aqui a ouvir-te falar de mim com tanto carinho que me apeteceu.
- Gosto de ti de verdade…
- Também gosto muito de ti!

E nisto Gonçalo não resiste e rouba-lhe um beijo de Amor…
Que ela corresponde, mas terminado abala correndo como se tivesse cometido o pior de todos os pecados, até se esquecendo do cântaro vazio ao lado da bica.

Passadas todas estas memórias pela mente, Gonçalo chega ao pé do mendigo para saber noticias de Adelaide.

- Bom dia senhor. Lembra-se de mim?
- Como poderia esquecer alma tão caridosa nobre senhor?
- Sabe alguma coisa de Adelaide?
- Sei sim. Ela entrou no convento de Santa Clara-a-velha, onde repousam os restos mortais da Rainha Santa Isabel, no exacto dia que fazia dezasseis anos. Mais não sei nobre senhor.

Fazia todo sentido a sua mãe era devota da Rainha Santa Isabel, que ao levar pão para os pobres é abordada por D. Dinis que lhe pergunta que leva em seu regaço responde “ são rosas, meu senhor, são rosas” abrindo o regaço e o pão se transforma em rosas.
Ironia do destino, o convento de Santa Clara-a-velha era em Coimbra, ela sempre estivera ali junto dele, por detrás dos muros do convento, mas tão perto que agora já dava para ouvir o seu respirar.
Recompensa o mendigo e segue viagem, para Coimbra a morada dos olhos do seu coração.

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