domingo, 13 de julho de 2008

Capitulo VII

Gonçalo finalmente ganha coragem para entrar na taverna da Coxa, e enfrentar a desilusão de Mercedes que há dias não sabia nada dele…
Senta-se na mesa do costume, faz sinal para que lhe seja servido a sua taça de vinho. Pede a Mercedes que sente um pouco do seu lado. O movimento ainda estava fraco, então ela aceitou. Falou com ela lhe explicando que finalmente tinha encontrado Adelaide a mulher de sua vida, e que não se sentia bem a estar com ela, com Adelaide aqui tão perto, sentia que estava a trair seu próprio sentimento.
E ainda tinha o seu pai que não aprovava de modo algum o namoro, chegando mesmo a equacionar retirá-lo da universidade, caso continuasse com ela.
As lágrimas esvoaçam do rosto da pobre “portuguesa de Olivença”, trespassam-lhe a alma.
Chorava que nem uma criança quando lhe tiram o brinquedo favorito. Mas a vida é assim mesmo e Gonçalo não pode olhar para trás, munido do seu egoísmo não percebe que “pior do que não ser amado por ninguém, é não saber ser amado por alguém”.
Chega João da Cunha, pede licença para se sentar, e Mercedes sai correndo no seu choro incontrolável.
Estamos a 1 de Outubro, e João da Cunha, companheiro de Gonçalo do PRP (Partido Republicano Português), que se dizia ter chegado ao directório, depois de dois anos antes ter participado no regicídio de D. Carlos I, a Rainha, e o príncipe herdeiro D. Luís Filipe no terreiro do paço quando ainda membro da carbonária, aparece com as noticias que Gonçalo esperava há muito.
Tinha informações fidedignas que na manhã seguinte se iriam começar a efectuar manobras militares com vista a destituir a monarquia como poder vigente, e implantar a república em Portugal.
Gonçalo não podia ficar mais eufórico, o reinado de D. Manuel II estava por um fio, esta podia bem ser a oportunidade de a república vencer.
Gonçalo e João da Cunha saem apresados, para apanhar o comboio para Lisboa onde se dará a revolução entre os dias 2 e 5 de Outubro.
A 5 de Outubro, José Relvas proclama a república na varanda da Câmara Municipal de Lisboa, Gonçalo e João assistem a tudo cá em baixo festejando alegremente esta importante vitória da sua causa.

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